domingo, 25 de janeiro de 2009

Capítulo 3 - Creews

Thorefeld era uma região de aventuras, lar de dóceis animais e medonhos monstros. Johnny, pela manhã estava compondo uma nova melodia, doce e rápida, enquanto testava seu efeito em um velho tronco de árvore. Melodia essa maravilhosa, um remédio aos ouvidos, mas mortal, se usada em batalha.
De repente um ruído como o quebrar de um galho atrás de Johnny. Este levanta e fica em posição de combate, bandolim em mão, dedos nas cordas e olho atento. O som revela-se nada mais que um coelho marrom, atraído pela doce musica.
Após algum tempo de deleite musical, o coelho foge assustado. Isso não havia de ser bom sinal. Johnny recoloca-se de pé, com bandolim preparado para matar o que quer que fosse. O chão treme, arvores caem ao longe. Todos os sinais revelam a presença de um Creew, um humanóide gigante, com muita força e ouça inteligência.
A cada segundo o coração de Johnny se acelerava mais e mais, enquanto o Creew se aproximava. Creews odeiam musica, e aquele estava furioso com a melodia de Johnny.
Passada, tremor. Passada, tremor. Passada. Os passos param, a arvore em frente Johnny cai, rugido e uma mão gigante cai em direção ao meio elfo.
Tremor, musica, Johnny dedilhava as cordas enquanto o Creew atacava, tentando quebrar a barreira sonora criada pelo musico.
Soco, soco, soco. A musica cessa. A barreira foi desfeita.
Johnny pula desviando do soco enquanto tenta parar em cima de alguma arvore.
O Creew emite seu rugido alto em uma fúria destruidora. Pula com a bocarra aberta em direção a Johnny, ainda no ar. Dedilhada no bandolim, a mandíbula do Creew pende na cabeça, enquanto este despenca. O sangue esguicha nos ombros de Johnny.
Johnny criara um pequeno “chão” sonoro e se estabelecia, cotando furiosamente sua nova canção enquanto o Creew era fatiado em muitos pedaços. Johnny olhando o corpo do Creew. O sangue de um Creew atrai seus companheiros, e ele estava manchado de sangue. Tinha que se limpar urgentemente.
-Onde tinha um lago mesmo?-disse Johnny em voz alta, enquanto corria desesperadamente pela floresta.
O que ele menos precisava agora era ser caçado por um bando de Creews.

*

-Lor... Lorde Zhiskel... – disse o serviçal – Por que o senhor não recebe alguns plebeus das vilas que o senhor rege? Fiquei sabendo que há um bando de Creews rondando as vilas e atacando as fazendas.
-Desde quando isso me importa? – responde o Lorde, usando uma armadura negra que lhe cobria o corpo todo, enquanto treinava com seus soldados.
-Oh! Claro, senhor...- diz o serviçal, envergonhado.

*

Johnny corre, com o coração pulsando. Ele está sentido o cheiro forte que um bando de Creews exala. Fedor puro de excremento, suor e sangue. Teria de ser rápido, ou nem mesmo Lhetos, o deus das adivinhações saberia o que aconteceria a ele.

*

-Lorde... Agora que o senhor já treinou, receba seus súditos... eles estão desesperados...
-Hunpft... – desdenha Zhiskel – Sou lorde pra isso mesmo, não sou?

*

-Droga, eles estão perto... – pensou Johnny, à beira do desespero – Vou ter que lutar...
Johnny se arma do bandolim enquanto corre. Começa a tocar uma musica lenta, delicada. Está de preparando para um Réquiem da Morte.

*

-... Então minhas vacas desapareceram.- dizia o plebeu
- Claro, claro.- disse Zhiskel, sem nem ao menos ouvir – Próximo...

*

A musica ia acelerando e cortando árvores enquanto Johnny corria. Ele já estava avistando os Creews quando olhou por cima do ombro. Dedilhando cada vez mais rápido seu bandolim, acertou dois monstros com uma rajada sônica enquanto continuava a se preparar para um golpe final.

*

-... então com um barulho eu acor—
- Basta de lamurias – gritou Zhiskel – Por hoje basta. Já tenho a solução de todos os seus problemas. Podem ir.
Todos os súditos, plebeus e serviçais saíram da sala, seguindo as ordens.
- Fique serviçal – diz Zhiskel apontando para o homem que o alertara sobre a crise dos plebeus – Você cumprirá minhas ordens como eu disser...

*

Johnny começa a planar no ar, já com a melodia quase incompreensível de tão rápida. Seus dedos começam a sangrar e ele começa a perder as forças.
-Só mais um pouco... só mais um pouco... – pensou – Eu tenho que agüentar... Vamos...
Uma trilha de gotas de sangue se formava por onde Johnny passava.

*

- Jure por sua vida que seguirá minhas ordens sem questionar. – disse Zhiskel, com um ar de superioridade inquestionável
-Si... Sim – gaguejou o homem
- A solução definitiva para esses problemas com Creews é a seguinte...
Zhiskel dá uma gargalhada sonoramente maligna, fazendo o homem suar frio e tremer as pernas.
-Ateie fogo a tudo – Zhiskel tinha uma expressão completamente insana
O homem grita de pavor e sai correndo.

*

Johnny já perdia as forças enquanto tocava... os Creews estavam furiosos pelo som da musica, que agora já não passava de um zumbido. A mão de Johnny em carne viva, Johnny errando notas por causa do excesso de sangue nas cordas.
Grito, rugido. Os olhos de Johnny embranquecem e ele cai.

*

-Eu, Lorde Zhiskel contratei vocês para atearem fogo a vila de O’Darken e a floresta que a limita. –dizia Zhiskel ao bando mercenário que contratara.
- Já entendi que você quer que coloquemos fogo na vila, mas por que? – perguntou Vittor, o líder do bando
- Tem que ter motivo? – disse Zhiskel, rindo.

*

Johnny estava de pé, tocando a musica num frenesi loucamente rápido os Creews já o cercavam. Seus olhos brancos começaram a se iluminar. Johnny grita, mas de sua boca sai luz em vez de som.
Uma luz cegante o cerca e se expande, atingindo os Creews.

*

Explosão.

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