sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Capítulo 1 - Johnny Fablle

Um homem caminha pela floresta. Podia usar a estrada, mas assim ficaria a vista. Não queria incômodos, mas mal sabia que estava indo de encontro a um. Pequeno, mas seria incomodado, mesmo que pouco.
Um grupo de bandidos (famoso, devo acrescentar, por matar e pilhar qualquer um. QUALQUER UM.) espreita a estrada (por isso passar pela floresta), mas outro grupo, um mais mequetrefe, mais fraco, menos... interessante, espreita a floresta, em cima das árvores. Seria um pequeno incômodo para o homem que se esconde na esperança de uma viagem tranqüila. Mas é melhor que enfrentar o grupo grande. Muito melhor.
O grupo era formado por cinco ou seis rapazotes, novos demais, mas que desejavam liberdade, dinheiro e sangue. Sangue. Mal sabiam que o feitiço voltaria contra o feiticeiro (não em forma literal, que é muito comum.), mas de forma muito mais forte. Muito mais forte. Sangue seria desperdiçado numa tentativa inútil de acalmar hormônios, acalmar raivas, acalmar a vontade de matar, que, por menor que fosse era real. Essa vontade estava tendo um crescimento muito estranho no reino. Estranho demais.
Mais um grupo de bandidos a sumir pelas mãos daquele homem. Chapéu de abas largas com uma pena de enfeite. Bom para aquela época de calor. Roupas largas e frescas. Botas, como qualquer viajante que viaje a pé. E um bandolim, seu instrumento de trabalho. Sua arma. Seu ganha pão. Dele sempre saia uma musica bela, agitada e mortal. Mortal.
Serio demais para um bardo. Sem muito conhecimento arcano para um mago. Sem força para um guerreiro. Sem rapidez para um ladrão. Só um talento musical e uma arma mágica. Combinação mortal naquela região. Talvez somente um viajante, mas seu passado sujo de sangue provava, era um aventureiro. Solitário aventureiro, que por mais perigo que se postasse a sua frente jamais tivera ajuda. Nem humana, não-humana ou divina. Sempre sozinho. Sempre.

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Mal o homem pisa na clareira o ataque se inicia. Logo dois dos assaltantes pulam à frente do homem de chapéu, logo morrem. Um perde a cabeça, o outro tem o peito esmagado. Nada o homem fizera, apenas assoviou. Os bandoleiros assustados tentam um ataque de cerco, já no chão. Não funciona. O homem já havia começado a tocar sua canção. O som era magnífico, a mais bela canção que já fora ouvida. E a ultima para aqueles desafortunados jovens. Mais as armas invisíveis cortam, esmagam, perfuram, contundem. Matam. O ultimo dos jovens ainda está em cima da árvore. Vê uma guarda baixa, arma seu arco e atira. Não liga para os outros, mal os conhecia. A seta atinge o chapéu. O homem não fora atingido, mas seu chapéu estava com um grande rasgo, impossível usa-lo e não ser notado. Um incomodo rasgo no chapéu.
Um grito é ouvido por toda a floresta, com um estrondoso badalar de notas ao fundo. O cadáver do jovem nunca fora encontrado.
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_Bela porcaria_disse o homem, com sua voz doce, fria e extremamente séria_ Obrigado por destruir meu chapéu.
O homem olha o chapéu, com raiva. O rasgo no chapéu o incomodara. O inicio de uma canção de ninar e um chapéu é destruído. A cantiga para, e o homem retoma sua viagem.
Espera não ser mais incomodado, e não será até a chagada na próxima vila.
Sem o chapéu, que lhe cobria parte do rosto se pode ver um jovem rapaz, belo, lábios grossos, contrapondo-se a suas finas feições. Cabelos negros, bem cortados, mas despenteados. Sem um único fio de barba por todo o rosto. Não há como diferencia-lo de humanos. Exceto pelas orelhas, com uma estranha forma de folha. Pontuda.
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Aquele era Johnny Fablle, um dos homens mais famosos em Ulef, sempre confundido com bardos. Mas bardos não eram mortais como ele é.
Ele era um Algoz da Música.
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Fablle viajava silencioso, sem alegria. Triste até. Tristeza. Tristeza era muito comum em sua vida. Sempre temendo ser descoberto. Ter suas orelhas visíveis. Seu disfarce, o chapéu de grandes abas que sempre havia escondido-as, agora destruído, pulverizado. Guardara apenas a pena vermelha.
Vermelha e com muitos pontos dourados era a pena. Devia ser de uma ave, mas Fablle não conhecia nenhuma desse tipo, nem nunca ouvira falar. A pena era uma lembrança de alguém, mas não sabia quem.
Mais cedo matara bandidos, bandoleiros. Desintegrara um, cortara, perfurara e esmagara muitos e agora se cansara. Desintegração pedia muito esforço, um cansaço sem igual. Magia Negra cansava muito.
Do cansaço das magias e da viagem veio o sono. Com o sono, vieram os sonhos. Sonhos turbulentos, pessoas como ele, com orelhas em forma de folha morriam aos montes. A cidade queimava, gritos de dor, sangue. Horrendo humanóides com largos narizes, caras achatadas, orelhas pontudas e pele amarelada atacavam os belos seres com quem Fablle se assemelhava.
Com as mortes uma palavra invadiu a mente de Fablle: elfo. E logo em seguida, fogo, sangue e a figura de um homem. Não um homem, um dos humanóides horrendos. Parecia ser o líder deles. O maior e mais forte entre eles. Gritava bravatas, enquanto seus iguais, seus comandados vibravam e gritavam seu nome: Thw---
Fablle acordara. Suando, gritando, tentando esquecer a chacina com a qual sonhara. Mas a palavra elfo nunca saira de sua mente. Nunca.
Não sabia o que elfo significava, nem o que era, mas nunca se deixou esquece-la.
Nem do sonho.

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